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ALUNOS DO 8.º D GANHAM 1.º PRÉMIO
Por António Salgado (Professor), em 2012/04/182615 leram | 3 comentários | 779 gostam
A turma 8.º D da Escola EB 2,3 de Pevidém ganhou o 1.º prémio do Concurso Uma Aventura... Literária, promovido pela Caminho.
O trabalho dos alunos, que publicamos a seguir, recebeu o 1.º Prémio na modalidade Texto Original - 3.º Ciclo. Este ano, estiveram a concurso mais de 10710 trabalhos, de mais de quatrocentas escolas. Muitos parabéns!
Texto vencedor:

                               RUMO AO ORIENTE

Mater Dei gemia com as chicotadas das ondas e com o vento enfurecido que fazia vibrar todas as suas cordas. O céu fechara-se, os trovões ribombavam e nos corações dos marinheiros já só morava o medo.
- Dar à bomba! Dar à bomba! - gritava Vimaranes desesperado.
Naquela noite, os bravos marinheiros, vencidos pelo frio e pelo cansaço, desceram ao Inferno e muitos deles de lá não voltaram.
- Vimaranes! Meu amado, Vimaranes! - sussurrava uma voz fina e lânguida.
Era Elizabeth que havia entrado na caravela, pela popa, com a ajuda de um marinheiro seu parente que a escondera num recanto do porão, por detrás de um barril de rum.
- Elizabeth, minha doce amada! Que fazes com as roupas de um marujo? Julguei não voltar a ver-te!
E os dois corpos enlaçaram-se num abraço terno e demorado...
- Terra à vista! Terra à vista! - gritou um marinheiro do cesto da gávea.
- A avaliar pelas palmeiras de tão alto porte, julgo que estamos na costa africana. - afirmou Alberto Sampaio.
O Capitão pareceu concordar com o seu velho amigo e decidiu deslocar-se na companhia de cinco marinheiros para o interior da densa vegetação, à procura de vestígios de algum povo indígena. Quando se aproximavam de um terreno arenoso, foram cercados por guerreiros armados com lanças, que exibiam no rosto pinturas e cicatrizes feitas com os picos das acácias. Ao perceberem que os estrangeiros apenas procuravam comida e um local para descansar, os indígenas entoaram cânticos guturais e dançaram em seu redor.
- Quem sois? - perguntou pausadamente o ancião da tribo, que surgiu sentado no ramo de um baobá.
- Somos navegadores enviados por D. João II de Portugal, o Príncipe Perfeito. Partimos de Lisboa há cinco luas...
- Declaro que sejais acolhidos como amigos. Podeis chamar os restantes companheiros. - interrompeu o velho chefe da tribo Makulalae.
Ao crepúsculo, era sempre acesa uma enorme fogueira e Djakual, o grande Chefe, deliciava-se com as histórias de Vimaranes, que não se cansava de enaltecer a sua terra natal e de contar as façanhas do seu fundador - D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal.
Numa noite de lua cheia, surgiu um acontecimento memorável. Boruak, o velho feiticeiro da tribo, após retirar a máscara que lhe ocultava a pele do rosto queimada pelo sol e pelo sal, anunciou uma profecia:
- Vimaranes, o amor que sentes pela cidade que te viu nascer é grande e é por causa desse amor e da bravura dos teus descendentes que algo magnífico irá acontecer no ano cristão de 2012. Todo o velho continente se irá curvar perante a história e cultura dessa tua tão amada cidade e o coração será o símbolo impulsionador desse grande acontecimento.
Todos ficaram surpreendidos com aquela profecia. Alberto Sampaio, que tinha uma jovem ao colo, retirou as mãos gulosas dos seios da negra e piscou o olho ao seu Capitão, parecendo duvidar das sábias palavras do místico feiticeiro.
Turma 8.º D


Comentários
Por Joao Lemos (Aluno, 5ºD), em 2012/04/19
Este texto é muito fixe. É o texto mais bonito que eu já li.
Por Susana Fortuna (Professor), em 2012/04/23
Muitos parabéns a todos os que participaram na elaboração deste texto!
Por Alice Guimarães (Professora), em 2012/04/27
Gostei muito! Parabéns...

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