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E agora?
Por António Silva (Leitor do Jornal), em 2012/07/07975 leram | 0 comentários | 172 gostam
Estamos de férias...
Estamos de férias, para alguns será motivo de alegria, mas infelizmente, para outros é precisamente o oposto. Para esses últimos, gostaria de partilhar com eles esta história.

Havia uma aldeia que contava, entre os seus habitantes, com um velho homem muito sábio. Os aldeões contavam com a sabedoria deste homem para lhes dar respostas às suas perguntas e preocupações.
Um dia, um agricultor da aldeia foi ter com o sábio e disse, num tom frenético: «Homem sábio, ajude-me. Aconteceu-me uma coisa horrível. O meu boi morreu e não tenho outro animal para me ajudar a lavrar o campo! Esta era a pior coisa que me poderia acontecer.» O homem sábio respondeu: «Talvez sim, talvez não.» O homem correu de regresso à aldeia e contou aos vizinhos que o homem sábio estava louco. É claro que esta era a pior coisa que poderia ter-lhe sucedido. Porque não veria ele isso?
No dia seguinte, no entanto, um cavalo jovem e forte foi visto nas proximidades da quinta do agricultor. Como não tinha nenhum boi para ajudar, pensou em aproveitar o cavalo para o lugar do boi - e foi o que fez.
Que felicidade para ele! Nunca lavrar um campo tinha sido tão fácil. Voltou ao homem sábio, para pedir desculpa. «O senhor estava certo, homem sábio. Perder o meu boi não foi a pior coisa que me poderia acontecer. Foi uma bênção! Nunca teria capturado o meu novo cavalo se isto não me tivesse acontecido. Esta foi a melhor coisa que poderia ter ocorrido.»
O homem sábio voltou a dizer: «Talvez sim, talvez não.»
Outra vez, não, pensou o fazendeiro. Agora não havia dúvidas de que o homem sábio não estava bom da cabeça.
Mais uma vez, no entanto, o fazendeiro não sabia o que o aguardava. Alguns dias mais tarde, o seu filho montava a cavalo e caiu. Partiu a perna e não poderia ajudá-lo na colheita. Oh, não, pensou o lavrador. Agora vamos morrer de fome.
E foi de novo procurar o homem sábio. Desta vez ele disse: «Como é que sabia que capturar o cavalo não foi uma coisa boa? Estava novamente certo. O meu filho feriu-se e agora não pode ajudar-me na colheita. Tenho a certeza de que esta foi a pior coisa que me poderia ter acontecido. Desta vez tem de concordar comigo.» Mas, da mesma forma que acontecera das vezes anteriores, o homem sábio olhou calmamente para o fazendeiro num tom compassivo e repetiu: «Talvez sim, talvez não.» Furioso pelo facto de o homem sábio ser afinal tão ignorante, o lavrador voltou confundido para a aldeia.
No dia seguinte, chegaram tropas à aldeia para levar todos os homens jovens e saudáveis para uma guerra que acabara de estalar. O filho do fazendeiro foi o único jovem da aldeia que não teve de ir. Viveria, e os outros, com toda a certeza, estavam fadados a morrer.

A moral desta história contém uma lição poderosa.
A verdade é que não sabemos o que nos irá acontecer - apenas acreditamos saber.

Boa sorte.


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