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Nunca tive um Bom, Nem sequer um bom pequeno.
Por António Silva (Leitor do Jornal), em 2017/04/18163 leram | 0 comentários | 40 gostam
Infelizmente há muitas Marias!
Por isso gostava de partilhar com os nossos leitores este texto.
Estou a escrever este texto em tempo de férias e à saída de mais um período de avaliações. Em breve começará o terceiro período, o das decisões, que para muitas crianças e adolescentes será também o das explicações em busca da derradeira possibilidade de atingir no mínimo a passagem de ano e idealmente para muitos pais a excelência.

A história começa assim:

Era uma vez uma menina chamada Maria. Tinha onze anos e não era muito bonita. Há meninos que não são.
A Maria também não era muito boa aluna, os colegas tinham sempre melhores notas que ela. E até se esforçava. Às vezes tinha dúvidas, os professores procuravam ajudar mas o tempo não era muito pelo que ainda ficava sem saber algumas coisas. Queria e tentava fazer os trabalhos de casa, mas o pai e a mãe não sabiam ajudar porque tinham andado poucos anos na escola e o irmão era mais novo.

A Maria era uma menina triste.

Um dia a diretora de turma perguntou-lhe porque estava assim quase sempre. Escondida atrás de uns olhos grandes, esses sim muito bonitos mas tristes, disse baixinho "Eu nunca tive um bom, nem sequer um bom pequeno. Gostava tanto de ter um".
Umas aulas depois a professora avisou que a turma teria novo teste.
A Maria, como sempre, ficou assustada mas depois de o fazer ficou mais tranquila, achou que tinha corrido bem.
Quando a professora devolveu os trabalhos, a Maria viu escrito em letras gordas, BOM, bom grande. Os olhos que já eram grandes, ficaram maiores, até ela se sentia mais crescida.
Os pais contaram aos vizinhos. A Maria podia não ter sempre notas tão altas como outros colegas mas já tinha tido um bom. Um bom grande, aquele bom grande.
A professora também ficou grande. Grande e amiga.
Felizmente os professores sabem que avaliar não é apenas classificar e muitos estão atentos às Marias que nunca tiveram um bom e que muitas vezes se perdem na transparência do anonimato, do destino.

(Texto da autoria do Dr. José Morgado, Doutorado em Estudos da Criança e publicado na revista Visão)


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