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Não há língua como a nossa.
Por António Silva (Leitor do Jornal), em 2017/05/19238 leram | 0 comentários | 52 gostam
Este texto é de uma extraordinária beleza, assombroso é o seu fim.
Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o
português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que
de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se
dizer tudo com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de
Colombo.

Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor
empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino
dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores
e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de
eterno e honroso reconhecimento.

Trechos difíceis se resolvem com sinónimos. Observe-se bem: é certo
que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento
instrutivo.

Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo exercício do intelecto, pois
escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e,
conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo
livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser
escolher. Podemos, em estilo corrente repetir sempre um som ou mesmo
escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se
todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor
melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis,
muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto
escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século
inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e
belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polifónico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém
incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos,
escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de
condores.

Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.

Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde,
porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de
nobres descobridores de mundos novos.

N.B. Em nenhum sitio deste texto existe um "a", exceto este!


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