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Um Natal com flores e pedras preciosas
Por Alice Guimarães (Professora), em 2013/12/15725 leram | 0 comentários | 162 gostam
Permitam-me partilhar convosco uma história que contei, há pouco tempo, aos alunos e que começa, como a maior parte delas, por “Era uma vez…”.
“Era uma vez uma mãe que tinha duas filhas às quais dava tratamento e educação diferentes. A mais velha era pouco repreendida e fazia tudo o que queria. A mais nova era muitas vezes castigada e ainda tinha de tratar das tarefas domésticas. Nesse tempo, não havia água canalizada e a mais nova tinha de ir à fonte e carregar o cântaro cheio de água para casa. A mais velha tornou-se uma jovem antipática e muito cruel, ninguém gostava dela (exceto a própria mãe); a mais nova tornou-se uma jovem carinhosa, trabalhadora e todos gostavam dela (mas não era a preferida da mãe). Num belo dia, quando a mais nova estava na fonte, apareceu-lhe uma velhinha que lhe pediu para a ajudar a beber aquela água fresca. Sem mais demora, ela deu a mão à velhinha e ajudou-a a matar a sede. A velhinha era, afinal, uma fada e ficou tão contente com a bondade da jovem que lhe deu um dom que mais ninguém possuía: - A partir de hoje, sempre que falares, da tua boca brotarão flores e pedras preciosas. Quando a filha mais nova começou a falar em casa, a mãe ficou espantada com tal feito, obrigando-a a contar a razão. Com toda a sua inocência, a rapariga contou todos os pormenores do que lhe tinha sucedido na fonte. Então, a mãe, furiosa, disse à filha mais velha para também ir à fonte e ajudar a tal velhinha a beber a água, pois, assim, poderia ficar riquíssima para toda a sua vida. A filha mais velha, que não ficou nada entusiasmada com a ideia de ter de ajudar uma idosa, decidiu, muito contrariada, fazer o que a mãe lhe ordenava. Quando chegou à fonte, depois de encher o cântaro, sentou-se numa pedra e ficou à espera da tal velhinha. De repente, surge uma senhora muito bem vestida, com roupas caras e pede-lhe que a ajude a beber a água da fonte de forma a não estragar a sua indumentária. A jovem, incomodada com tal pedido, disse-lhe que, se quisesse, podia beber do cântaro, e que não demorasse muito, pois teria de ajudar uma velha, o que já era uma enorme trabalheira. A senhora, que era, na verdade, a mesma fada de sempre, disse-lhe: -Pela tua repugnância, vou dar-te um dom: sempre que falares, da tua boca sairão cobras e sapos. A rapariga, furiosa, foi para casa e quando a mãe se inteirou do sucedido culpou a filha mais nova, apelidando-a de mentirosa e traidora. A rapariga- a mais nova- não teve outro remédio senão sair de casa e tentar a sua sorte, longe da sua família.”
A história continua: a filha mais nova casa com um belo príncipe e é muito feliz, ao passo que a mais velha acaba por morrer sozinha e abandonada por todos.
No nosso dia-a-dia, da nossa boca (por falta de tempo, por pensarmos nas dificuldades da vida e por muitas outras coisas) também acabam por sair palavras menos agradáveis (as tais cobras e sapos). Mas, nesta época natalícia, sempre se para um pouco para pensar mais na família, no vizinho, no colega, no amigo… E, nesta altura, da nossa boca acabam por abrolhar palavras mais bonitas (as tais flores e pedras preciosas) tais como: obrigado, partilha, solidariedade, ajuda, felicidade, paz e amor. Esforcemo-nos, pois, não só nesta época do ano, mas ao longo de todos os dias, para que da nossa boca brotem mais flores do que cobras. Desejo, por isso, a todos vós, um Natal repleto de flores e de pedras preciosas.


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