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O empréstimo.
Por António Silva (Leitor do Jornal), em 2014/03/13584 leram | 1 comentários | 140 gostam
Uma lição que não esquecerei!
De uma forma geral, quase todos temos o hábito, mesmo inconscientemente, de julgar os outros pelas aparências, é quase genético, talvez fruto da sociedade carente de valores em que vivemos. Por isso, gostaria de partilhar com os nossos leitores um episódio que aconteceu comigo por estes dias.

Todos nós conhecemos algumas pessoas, aqui do nosso burgo, que povoam os parques de estacionamento e que mendigam uma moeda aos transeuntes, vulgarmente apelidados de os "moedinha".
Pois um desses senhores veio ter comigo e pediu-me, não uma moedinha, mas queria que lhe emprestasse setenta cêntimos, porque, segundo ele, era o valor que lhe faltava para comprar um bilhete de autocarro para ir a Guimarães tratar de um assunto urgente.

Ao ouvir aquilo, pensei, com os meus botões, que emprestar dinheiro ao "moedinha" seria o mesmo que lhe dar. Mesmo assim retirei do bolso um euro e disse-lhe que era um empréstimo, não era uma esmola, convencido que lhe tinha dado a moeda e que nunca mais a teria de volta. Por isso voltei à minha vida sem pensar mais no sucedido.

No dia seguinte, ao passar no mesmo sítio, o senhor a quem tinha emprestado o euro veio ter comigo e pagou a dívida, agradeceu-me pelo facto e referiu que tinha sido de grande préstimo para ele. Naturalmente, agradado pela honestidade do homem quis recompensá-lo, dando-lhe o euro. Ele recusou e disse que aquele dinheiro era para pagar o empréstimo que eu lhe tinha concedido no dia anterior.

Assim sendo, guardei a moeda e antes de lhe voltar costas, peguei numa moeda de inferior valor e dei-lhe. Ele aceitou e agradeceu como tantas vezes o faz.

O empréstimo estava pago.


Comentários
Por Maria Andrade (Professora), em 2014/03/20
Afinal ainda há gente séria!!

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